USP deposita patente da primeira bateria de nióbio funcional.

A Universidade de São Paulo alcançou, sem dúvida, um marco científico e tecnológico importante ao depositar a patente da primeira bateria à base de nióbio no mundo.
Como resultado, temos um avanço que pode redefinir a forma como pensamos o armazenamento de energia.
Isso irá posicionar o Brasil como protagonista em um setor estratégico para o futuro.
Por que isso importa?
O nióbio é um elemento químico considerado estratégico, sobretudo porque o Brasil detém grande parte das reservas mundiais. Tradicionalmente utilizado em ligas metálicas de alta performance, acima de tudo, na indústria aeroespacial e de superligas.
Porém, o nióbio também tem um enorme potencial para aplicações eletroquímicas, isso se o desafio da sua instabilidade química puder ser superado.
Durante décadas, pesquisadores ao redor do mundo encontraram graves dificuldades para usar o nióbio em baterias recarregáveis, pois seus compostos ativos se degradam rapidamente em contato com água e oxigênio. Isso impedia que o metal se comportasse de maneira estável e eficiente como material de armazenamento de energia.
Da ciência à tecnologia: uma arquitetura inovadora

A equipe da USP, liderada pelo Prof. Frank Crespilho e contando com contribuições essenciais da doutoranda Luana Italiano, encontrou uma solução inspirada em sistemas biológicos altamente controlados — como enzimas e metaloproteínas — que conseguem manipular metais reativos sem degradação.
Esse princípio biomimético foi transposto para um novo design de baterias. Baseado em uma arquitetura chamada N-MER (Niobium Multi-stage Electronic Redox), sustentada por um meio ativo denominado NB-RAM (Niobium Redox Active Medium). Essa inovação permite que o nióbio mude seus estados eletrônicos de forma controlada, sem sofrer as reações parasitas que tradicionalmente impedem sua aplicação em baterias.
Resultados promissores
Após dois anos de intensa otimização, o protótipo desenvolvido na USP atingiu um marco importante: 3 volts, que é compatível com a faixa de tensão de muitas baterias comerciais atuais. Essa compatibilidade sugere que a tecnologia pode um dia ser aplicada em dispositivos como gadgets eletrônicos até sistemas maiores de armazenamento de energia.
Além disso, os testes foram realizados em formats industriais padrão, como células tipo coin (moeda) e pouch (flexíveis).
Mostrando, dessa forma, que a nova bateria funciona também fora das condições estritamente laboratoriais.
O que vem pela frente

Esse avanço despertou interesse de grupos internacionais, incluindo empresas chinesas do setor, mas os pesquisadores reforçam que o desenvolvimento completo da tecnologia deve acontecer no Brasil, com apoio institucional para transformar o protótipo em um produto industrial e comercial.
Para isso, há a proposta de criar um centro multimodal de pesquisa e inovação, reunindo universidades, governo e startups — um passo essencial para transformar conhecimento científico em soberania tecnológica e valor econômico real.
Conclusão
A bateria de nióbio desenvolvida pela USP representa um salto nas pesquisas de armazenamento de energia, abrindo portas para novas tecnologias que podem ser mais eficientes, seguras e adaptáveis do que as baterias convencionais. Esse tipo de inovação é crucial num cenário global que exige soluções energéticas mais inteligentes e sustentáveis — e coloca o Brasil em uma posição estratégica no mapa tecnológico mundial.
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